Medicamentos para pressão arterial estão associados a menor mortalidade por Covid-19,

Medicamentos amplamente usados para controlar a pressão alta podem ajudar a proteger contra o coronavirus grave, segundo o novo estudo, dissipando preocupações de que eles poderiam piorar a doença causada pelo coronavirus.

No geral, pacientes com pressão alta tinham o dobro do risco de morte e  eram mais propensos a precisar de ventilação mecânica para ajudá-los a respirar do que aqueles sem hipertensão — um fator de risco conhecido — relataram pesquisadores na última quinta-feira no European Heart Journal.

Mas aqueles que tomavam qualquer tipo de medicamento para controlar a pressão arterial tinham um risco significativamente menor de morte por Covid-19 do que aqueles não tratados por hipertensão no estudo de quase 2.900 pacientes internados em fevereiro e março no Hospital Huo Shen Shan em Wuhan, na China — o epicentro original da pandemia.

 

Ao reunir dados de estudos anteriores, a equipe de pesquisa também descobriu que os medicamentos para pressão arterial das classes conhecidas como inibidores da ECA e dos BRA, em particular, podem estar associados a um menor risco de morte por COVID-19.

Vários artigos sugeriram que os medicamentos poderiam aumentar a suscetibilidade ao novo coronavírus.

— Ficamos surpresos com o fato de esses resultados não apoiarem nossa hipótese inicial, na verdade, os resultados foram na direção oposta, com uma tendência a favor dos inibidores da ECA e dos BRA — disse o co-autor Fei Li, do Hospital Xijing, em Xi'an, China.

A evidência até agora é de estudos observacionais, e não de estudos randomizados, mas, por enquanto, "sugerimos que os pacientes não interrompam ou alterem seu tratamento anti-hipertensivo habitual, a menos que instruído por um médico", disse Li.

O Colégio Americano de Cardiologia, a Associação Americana do Coração e a Sociedade de Insuficiência Cardíaca da América recomendaram que os pacientes continuassem com os medicamentos para hipertensão prescritos a eles.

Os resultados abrem as portas para a possibilidade de que esses medicamentos possam ser estudados como um tratamento para a Covid-19, escreveu o médico. Luis Ruilope, do Hospital Universitário 12 de Outubro, em Madri, em um editorial da revista.

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