Notícias falsas sobre coronavírus causam pânico na América Latina

Além dos desafios impostos a saúde e a economia, o coronavirus obrigou governos, cidadãos e a imprensa a lidar com a proliferação de noticias falsas.

As “fake news” são particularmente perigosas quando causam pânico generalizado e levam as pessoas a sair em massa para comprar produtos que lhes permita sobreviver durante as quarentenas decretadas na maioria dos países. A aglomeração de pessoas facilita a propagação do coronavírus.

Uma corrente de WhatsApp que circulou entre a população da Cidade do México em fevereiro assegurava que medicamentos como o esteriflu, usado para o tratamento de influenza, foram testados contra a Covid-19 e funcionaram. O laboratório farmacêutico responsável pelo remédio desmentiu a informação.

Em março, em Porto Rico, viralizou o áudio de um pastor que pedia para que os féis se preparassem para uma quarentena mais longa, alegando ter informações sobre o fechamento de todas as lojas, incluindo supermercados e farmácias, a partir da semana seguinte. Isso fez com que mais pessoas do que o normal saíssem e enchessem os supermercados. O governo o acusou de violar uma lei que prevê multa e até seis meses de prisão para quem difunde alarmes falsos em meio a um estado de emergência.

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No Uruguai, circularam falsas informações de que políticos importantes haviam sido infectados, como a vice-presidente Beatriz Argimón, que negou os rumores.

Na Venezuela, um áudio divulgado por WhatsApp alertava que uma paróquia, localizada no município de Baruta, no norte do país, estava totalmente isolada devido à presença de 120 pessoas infectadas por coronavírus. Não era verdade. Segundo o prefeito Darwin González, apenas seis casos positivos de Covid-19 haviam sido confirmados na cidade até o dia 19 de março.

Vírus no asfalto

Em El Salvador, circularam orientações médicas falsas sobre como prevenir o coronavírus — um artifício, por exemplo, seria beber chás e infusões. Também foram forjados muitos dados relacionados a infecções e a óbitos.

Diversos casos de desinformação foram detectados nas redes sociais no Chile — que o vírus vive nove horas no asfalto; que chá quente, banho de sol e gargarejo previnem ou eliminam o novo coronavírus. Também há falsos relatos sobre a fuga de um paciente infectado.

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As curas domésticas — uso de gengibre, sal, bicarbonato, água quente e inalação de vapores — circulam no Peru. Além disso, foi amplamente divulgado um documento sobre mobilização de tropas, restrições no trânsito de pessoas nas ruas e decisões governamentais relacionadas ao isolamento social obrigatório.

Na Colômbia, falsos remédios, divulgação de medidas que não existem e alarmes gerais com o número de doentes e mortes também são cada vez mais abundantes.

No Brasil, o GLOBO analisa informações que circulam nas redes, separando-as em “fato” ou “fake”. O Ministério da Saúde, por sua vez, criou um número de WhatsApp para receber “informações virais” sobre o coronavírus, que são analisadas por técnicos da área. Desde o início da epidemia, foram recebidas 6.500 mensagens, das quais 90% estavam relacionadas à nova doença. Destas, 85% eram falsas.

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